Não basta esticar o dedo

A viagem ainda está a começar, mas já deu para perceber que afinal não basta esticar o dedo. É um mito a ideia romântica das viagens à boleia. Aliás, é preciso caminhar imenso pela estrada, ao som do excesso de velocidade dos carros que mergulham neste rio negro, onde o alcatrão expele um odor seco, pintado pelo calor que abrasa os meus pés, por agora ainda saudáveis.

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Aboleando o caminho

Fotografia de Nuno Sampaio

Viajar à boleia é uma prática que já não se recomenda, mas ainda há resistentes que arriscam para poupar dinheiro, porque não gosta de viajar só ou como no meu caso, simplesmente pelo espírito de aventura.

Esta aventura começa no Porto, a 1 de Junho de 2011, rumo a Castro Laboreiro, durante pelo menos quatro dias. Espero que os 10 euros que tenho para esta viagem, à boleia, sejam suficientes para conhecer mais gente, mais estradas, sorrir muitas vezes, conversar com quem não conheço, rir às gargalhadas, desesperar pelas boleias perdidas e descobrir locais que não fazia ideia da sua existência. Pretendo descobrir um Portugal novo e alcançar o inimaginável, viver o impossível para depois partir rumo à Europa e quem sabe o resto do Mundo.

Bem-vindos

À boleia é um programa desenvolvido na Academia RTP que tem como propósito conhecer o país real, através de viagens à boleia. Com apenas com 10 euros para cada etapa e com a mochila às costas, percorro as estradas portuguesas partilhando a experiência de cada curva com quem me oferece boleia. As dormidas ficam a cargo da sorte e da aptidão do desenrasque, sendo que a minha alimentação é suportada por um maná do acaso. Por cada etapa, cada com a duração de quatro dias, a generosidade das pessoas poderá oferecer-me, através votação na página do facebook, uma das cinco ajudas da produção: alojamento, uma refeição, um bilhete de comboio, um momento de lazer ou uma surpresa.